Entre o Conhecimento e o Data-Show

Nós que trabalhamos como docentes, sabemos das transformações pelas quais passa a educação superior no mundo e em especial no Brasil a partir da década de noventa. O número de instituições cresceu de forma surpreendente e com elas os professores da educação superior, a maioria técnica recém-saídos da universidade e com um curso latu sensu. Podemos relacionar à teoria da educação bancária de Paulo Freire. A educação “bancária” implica na transmissão do conhecimento de cima para baixo, na qual o professor é o detentor do conhecimento e o aluno o simples receptor, ou seja, recebe o “depósito” sem a mínima capacidade e interesse de fazer qualquer observação ou critica ao que está sendo depositado.

 

As instituições de ensino superior privadas têm a maioria dos seus cursos no turno noturno e sabemos as dificuldades dos alunos e dos professores de desenvolver o conhecimento de forma instigante e criativa. Não tenhamos dúvidas que precisamos de instrumentos pedagógicos para poder inovar e proporcionar um ambiente constantemente inovador e atraente. Transformando as aulas, simplesmente expositivas, num espaço de pesquisa e elaborações de projetos, criando um ambiente de interação contínuo. Vários são os instrumentos usados para que se obtenha o êxito, hoje, os mais comuns são o quadro e o Data-show, equipamentos que são usados, e que se não bem usados podem se tornar um fator de desestímulo para os alunos na sala de aula.

 

Estamos cada vez nos distanciando de uma forma inovadora de troca de conhecimento, sem provocá-lo a uma discursão mais ampla, dotando-os de competências para uma discussão reflexiva, à resolução de problemas. Além disso, estamos com a maioria das instituições de ensino superior privado com salas de aula dotadas de multimídias e principalmente, o Data-show que tem provocado uma reflexão importante dada à dependência de alguns professores em só ministrar aula se o equipamento estiver em funcionamento. Chegando ao cúmulo de se negar a entrar em aula sem o equipamento de multimídia.

 

Temos a certeza que o equipamento é uma plataforma da era da informática, porém, sabemos que o chamado “quadro negro” não pode ser tido como um instrumento pré-histórico. Existem alternativas que são interessantes para motivar os alunos de forma que o professor realmente seja o detentor do conhecimento com condições de interagir com o aluno e não transmitir o que foi colocado num “slide” de forma fria e sem condições de comentários amplos sobre o assunto. Será que o chamado “professor” tem condições de ministrar a aula preparada sem o “slide”?

 

O professor e Pesquisador da Educação Celso Antunes em uma brilhante colocação ,”Professores e Professauros”, mostra de maneira clara e centrada as cinco condições necessárias para o professor desenvolver sua aula:

a) Protagonismo – Onde o aluno é o eixo do processo educacional e não um espectador com a função de ouvir.

b) Linguagem – Proporcionar um ambiente de aprendizagem que permita tanto com o professor quanto com os colegas, discussões, debates, interrogações, sugestões, análises e propostas.

c) Administração de Competências Essenciais – A sala de aula deve ser o palco central de estímulos a diferentes competências essenciais à aprendizagem, em busca de uma visão sistêmica.

d) Construção de Conhecimentos Específicos – Ligar o que se aprende ao que já se sabe, fazendo uma ponte entre o que se aprende e a vida que se vive.

e) Auto-avaliação – Descobrir que a aula foi um efetivo instrumento de transformação, uma mudança de estado entre o que se sabia antes de ela começar e o progresso posterior constatado.

 

Fica explícita a necessidade de uma reflexão das condições de conhecimento do “professor” para estar ministrando aula ou repassando conhecimento em uma graduação de nível superior, será que não estamos exagerando no uso do Data-show? Ou ele é o único instrumento para que o “professor” possa repassar o conhecimento do livro para aluno?

 

Temos à disposição para nossa prática pedagógica os instrumentos de multimídia, e ter a convicção que eles não podem ser usados como a única forma de trabalhar com o aluno, a importância do Professor no processo de crescimento intelectual do aluno e na forma de transmissão do conhecimento é que sedimenta o ensino-aprendizagem.

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